Recomeçou no Brasil a greve de todos os servidores do Ministério da Cultura, no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal inicia o julgamento para confirmar ou não os possíveis indiciados no caso do Mensalão. Duas situações distintas, mas na realidade interdependentes, assim como todos os nossos grandes e pequenos eventos, de como recebemos educação, comemos, praticamos esportes, jogamos o lixo no lixo, fazemos nossa higiene pessoal e de como somos capazes de votar e cobrar dos nossos representantes as suas ações.
Cultura é entendermos os nossos direitos e deveres como pagadores de impostos para o funcionamento de hospitais, escolas, empresas, delegacias, bombeiros, rodoviárias, aeroportos, estradas, cemitérios, o Congresso Nacional e por fim o Supremo Tribunal Federal que deve dar a última palavra em todas essas questões de nossa sociedade, mas que também terá o seu desempenho e sua qualidade de interpretação ligados ao poder maior da sociedade que é a sua própria cultura.
Nesses meses de frustradas negociações com os representantes do Ministério do Planejamento, em Brasília, nosso comando de greve teve a imprensão que seus interlocutores consideram cultura apenas o fato de se ir ao cinema, ao museu ou ao teatro, nada que deixe o país paralisado se estiver em greve, como ocorre com a Polícia Federal. Nada comparado a uma tragédia aérea ou a sua seqüência de causas, como a pressão mercadológica das companhias de aviação, a escolha política e não técnica dos dirigentes das agências reguladoras e mesmo da prioridade da reforma dos aeroportos, privilegiando seus shoppings e não as suas pistas de pouso. Só que tudo isso é cultura.
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
TUDO É CULTURA ...
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Água, oxigênio e i-pods
A crise vai continuar, com certeza, até mesmo se os juros diminuírem e se um novo pensamento de vida tomar o lugar do delirante consumo americano.
Mas seremos mais felizes, trocando todos os brinquedinhos por uma conduta de vida mais espartana ?
Será uma difícil mudança para a humanidade que depois de passar pelo aperto, vai voltar a seduzir-se pelas maravilhas tecnológicas. Foi assim durante toda nossa existência.
Civilizações alcançaram a luxuria para depois viverem ciclos de agruras e depois retornarem à ostentação. É de nossa natureza.
A diferença hoje em dia é a globalização. A interdependência entre os países pobres, ricos e em desenvolvimento e a maneira com que passarão a negociar e a valorizar as riquezas das nações.
As reservas de minerais, algumas raras, por conta disso, deverão ser valorizadas e outras, como as águas e as florestas, que se extintas prejudicarão todo o sistema planetário.
São reservas que passarão a representar novas commodities, afinal água e oxigênio são tão necessários quantos celulares e i-pods.
sábado, 18 de agosto de 2007
A Crise Mundial
O delirante mundo consumista está fazendo água e não é culpa só dos bancos que num primeiro momento, em 2003, nos Estados Unidos, emprestaram grana para quem queria casa própria a 1% ao ano, mas chegando a 5,5%, desde 2006, afinal a vida de banqueiro não é fácil não।
.
Eles até transformaram em títulos, negociáveis para os fundos de pensão, esse recebimento de crédito futuro dos empréstimos imobiliários. Com esses títulos, clientes desses fundos de pensão compraram ações pelo mundo afora e agora por causa do calote dos mal pagadores, os bancos europeus não tinham como fazer os resgates। Daí a intervenção dos bancos centrais para acalmar os mercados.
.
Se isso não bastasse as casas que ainda não estavam quitadas eram hipotecadas para manter a gastança generalizada dos americanos, o maior mercado de consumo do mundo e que alimenta as nossas exportações, pobres coitados que também sonhamos com as tevês de plasma, as camionetes falantes e os celulares que tomaram conta de nossas vidas públicas e literalmente privadas, pois não existem limitações geográficas para essas maquininhas।
.
Num futuro bem próximo elas abriram portas, janelas e garagens, pagarão contas em restaurantes, farão auto-exames clínicos, nos levarão aos buracos de Alice que nem se importará com a nossa presença, pois estará usando o seu na função de um potente vibrador।O fascinante mundo consumista é o eterno refém do mundo monetário.
.
O delírio plásmico das tevês digitalizadas é o cataplasma analgésico da congestão financeira que se por sua vez se alimenta nos desejos preparados por iguarias tecnológicas que logo viram restos não reaproveitáveis desse eterno banquete, a caminho de sei lá o que।
.
Tudo muito rápido e descartável e que vai amontuando lixo tecnológico em nossos armários e de repente em nossos bolsos. A tecnologia não tem volta, pois é criação da máquina mais sofisticada do universo, o nosso cérebro, capaz também de criar os monetaristas e os banqueiros
Marcadores:
consumismo ações fundos de pensão gastança tevês
Assinar:
Postagens (Atom)