São sete toneladas de entulho que acabaram com a luz no fim do túnel ou no meio dele, interrompendo o vai-e-vem da burguesia labutante que ficou enlameada com tanto entulho descendo do morro. A culpa seria municipal, estadual ou federal, ou talvez um pouco dos três, porque deixaram correr frouxo o fluxo de carros sem a observância da encosta. Tanto túnel para uma linda cidade montanhosa, furada de todos lados para dar passagem ao progresso, pois foi o tempo em que se subia e descia morros para se chegar ao paraíso das praias e do sol.
Mas tudo tem seu preço. Se o túnel encurtou o caminho e o tempo, agora os tráficos, o de carro e o de papel nos atiraram a outro mundo perdido de galerias enfumaçadas, de balas perdidas e dos deslizamentos anunciados para à população. De repente sofremos um apagão em uma das artérias principais da cidade, como um coágulo entupindo nossas vias e nos jogando ao passado do começo do século passado quando não havia stress e bonde não eram vários carros velozes cheio de homens armados atirando para todos os lados. E a favela do Serro Corá era apenas um quilombo que de vez em quando descia pela Rua das Laranjeiras fazendo um arrastão.